As igrejas se proliferam todos os dias, como um vírus sem cura.
Mas o AMOR, a base de todo o Cristianismo, se esfria cada vez mais.
Ao invés de inclusão, a exclusão. No lugar da aceitação, o preconceito.
E quando não há explicação para tanto moralismo, ou base para esse falso cristianismo,
simplesmente ouvimos a expressão: "É DO DIABO!"

A falta de amor, a discriminação, a ignorância, isso sim pode ser considerado "coisa do diabo".
Que as/os cristã/os PENSEM.
E que o verdadeiro cristianismo seja buscado e vivido.

sábado, 12 de novembro de 2011

Homossexualidade e Religião Cristã - Introdução



A vida toda aprendi que homossexualidade é pecado. Baseado nos textos bíblicos que condenam a “prática homossexual”, cresci entendendo que “os homossexuais não herdarão o reino dos céus”.

É engraçado quando você se apropria de um discurso, como se fosse a verdade absoluta, e recebe algumas coisas sem questionar, sem pensar. E quando esse discurso vem autorizado pela religião, parece que é mais verdade ainda.

Eu estudei, vivi muitas coisas, questionei, busquei, e tenho encontrado outras respostas e novas perguntas também.

Muitas pessoas, que já conviveram comigo anos atrás, tem me perguntando o que penso a respeito da homossexualidade, já que ainda me apresento como cristã, e ainda vejo na Bíblia a mensagem divina. Muitos questionam de onde tiro bases para não “condenar” essa orientação. Vou tentar resumir, e esclarecer algumas coisas a respeito do tema, falando como cristã, teóloga e estudiosa do assunto.

Em princípio, me incomoda o julgamento das pessoas cristãs. A Bíblia é clara quanto a não julgar o próximo ("Não julguem, para que vocês não sejam julgados.” Mateus 7.1). As/os cristãs/aos têm o péssimo hábito de apontar o dedo para os outros, como se elas/es mesmos não tivessem pecado algum. Não devemos nos esquecer de que “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” Romanos 3.23, portanto, ninguém tem o direito de julgar o próximo, como se estivesse ileso dos próprios erros.

Vamos entrar na questão. Me perguntam: “mas a Bíblia não é clara ao condenar a homossexualidade?” A Bíblia é clara em relação a muitos assuntos, que a igreja cristã já entendeu que era cultural, e não usa mais. Por exemplo, no Antigo Testamento temos varias orientações que não cabem em nossos dias: “Tudo o que vive na água e não possui barbatanas e escamas será proibido para vocês.” Levítico 11:12 (como o camarão e as ostras); sobre os fluxos dos corpos (sêmen e menstruação): "Quando de um homem sair o sêmen, banhará todo o seu corpo com água, e ficará impuro até à tarde... Quando um homem se deitar com uma mulher e lhe sair o sêmen, ambos terão que se banhar com água, e estarão impuros até à tarde. Levítico 15:16 e 18. "Quando uma mulher tiver fluxo de sangue que sai do corpo, a impureza da sua menstruação durará sete dias, e quem nela tocar ficará impuro até à tarde. Tudo sobre o que ela se deitar durante a sua menstruação ficará impuro, e tudo sobre o que ela se sentar ficará impuro. Todo aquele que tocar em sua cama lavará as suas roupas e se banhará com água, e ficará impuro até à tarde. Quem tocar em alguma coisa sobre a qual ela se sentar lavará as suas roupas e se banhará com água, e estará impuro até à tarde. Quer seja a cama, quer seja qualquer coisa sobre a qual ela esteve sentada, quando alguém nisso tocar estará impuro até à tarde.” Levítico 15:19-23. Existem muitos outros textos de orientações que hoje não fazem o menor sentido pra nós. Mas ainda assim, cristãs/aos usam alguns deles para condenar a homossexualidade...

Muitos afirmam “mas depois de Jesus, as leis foram reinterpretadas, e temos novas orientações”. Mas no Novo Testamento também temos algumas regras fora de nosso contexto: “Escravos, obedeçam a seus senhores terrenos com respeito e temor, com sinceridade de coração, como a Cristo... Vocês, senhores, tratem seus escravos da mesma forma.” Efésios 6:5, 9. Então é permitida a existência de escravos? Ou ainda: “A mulher deve aprender em silêncio, com toda a sujeição. Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja, porém, em silêncio.” 1 Timóteo 2:11-13. O que seria de nossas professoras, dentro e fora da igreja, de nossas chefes de empresas, pastoras ou governantes? É pecado a sua existência?

Há muitos outros textos bíblicos que não são levados à risca, nem mesmo pelos mais conservadores ou fundamentalistas, por terem sido escritos num contexto cultural e político que não cabem em nosso tempo. Então eu pergunto: por que essa releitura vale para algumas coisas, mas não vale com relação à questão sexual ou sobre a homossexualidade? Há uma incoerência aqui. Pois se a defesa dessas/es cristãs/aos é de ler a Bíblia literalmente, que assim seja feito por elas/es então.

Feita essa observação, podemos entrar na questão da homossexualidade em si. Há 6 textos na Bíblia que falam sobre a homossexualidade. São eles: Gênesis 19.1-29, Levítico 18.22-42, Levítico 20.13, Romanos 1.26, 27, I Coríntios 6.9,10 e I Timóteo 1.10.

• O texto de Gênesis 19.1-29, diferente do que a tradição que surgiu após o primeiro século d.C. afirma – associando sodomia com relações homossexuais entre pessoas do mesmo sexo, usada muitos anos também nas áreas médicas – fala sobre a injustiça e falta de hospitalidade dos sodomistas, e não sobre sua homossexualidade. Isso pode ser confirmado em outros textos bíblicos que citam Sodoma como mau exemplo: Isaías 3.9, Jeremias 23.14 e Ezequiel 18.48-50.
• Em Levítico 18 e 20, a preocupação do(s) autor(es) é de diferenciar o povo hebreu dos povos vizinhos, com suas práticas sexuais, nas questões LITÚRGICAS.
• Romanos 1 se refere ao comportamento homossexual como um comportamento idólatra de adoração, e uma perversão litúrgica, que interfere os seres humanos em seu relacionamento com Deus. “Como em Levíticos, se destaca as práticas religiosas de adoração das nações que substiuíram Deus “adorando a criatura ao invés do Criador”” (J. Harold Ellens, “Sexo na Bíblia”).
• No texto de I Coríntios 6.9-10, Paulo lista homossexuais ao lado de outros tipos de “pecadores”, mas os aponta como membros da igreja que já praticaram atividades pagãs, que foram salvos, perdoados e santificados pela graça, e enfatiza a natureza sagrada dos corpos. Da mesma forma, Paulo enfatiza a diferenciação entre o comportamento pagão, antigo e cristão, novo.
• E em I Timóteo 1.10, há uma referência aos homossexuais juntamente com falsas doutrinas ensinadas entre os novos cristãs, fazendo alusão às abominações culturais, que não podiam ser associadas com os novos convertidos.

Penso que não é pela explicação desses textos que a homossexualidade deve ser ”justificada”, mas para uma primeira discussão a respeito do assunto, acho importante essa explanação às/aos cristãs/aos, que usam esses textos para condenar tal prática.

Como vimos até aqui, muitas orientações bíblicas foram abandonadas pelas/os cristãs/aos, por estarem fora de contexto. Por que então, não se permitir uma releitura também a respeito da homossexualidade? Questionem um pouco o que aprenderam até aqui, e tudo que disseram que era a verdade absoluta.

Existe muita coisa a ser dita, mas vou deixar este texto como uma introdução ao tema, e aos poucos, vou explicando teologicamente a nossa proposta hermenêutica com relação a homossexualidade.

Espero que tenha esclarecido um pouco do que penso sobre a homossexualidade, baseada na Bíblia, no cristianismo, mas também na experiência e vida de todas as pessoas homossexuais que conheço, e amam a Deus, mas são condenados e afastados de suas comunidades de fé por serem diferentes.

Fiquem à vontade para comentar. Só peço que POR FAVOR, pelo menos tentem não serem agressivos/as ou mal-educados/as por discordarem do que está escrito, ok? Façam tudo em amor.

Próximas postagens:
• Homossexualidade e não homossexualismo – Orientação e não opção
• Homossexuais machucados pela religião (muitos suicídios)
• Novas propostas teológicas – Teologia homossexual-gay-queer

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

SATISFEITO? by Rodrigo Coelho

Outro dia ouvi de alguém que sou outra pessoa. Achei ótimo! Imagina ser a mesma pessoa a vida toda. Seria muito ruim, eu penso. Penso mais. Acho que, se isto fosse possível – o que não é – estaríamos diante de um grande desperdício. Frente a tantas possibilidades e caminhos distintos, permanecer no mesmo lugar, é mais do que deixar de andar pra frente. É ficar para trás.

Estudamos. Quanto mais os seres humanos estudam, refletem, questionam, maiores as possibilidades de mudanças. Algumas, tão significativas, que são capazes de alterar os rumos da nossa existência. Quando olho para o meu passado e me recordo de alguns dos meus discursos, ora gargalho muito, ora até choro. Pergunto-me acerca das razões de dizer tantos equívocos em nome do desejo de reproduzir os discursos religiosos que a mim foram transmitidos um dia. Nesses momentos, sou salvo por Raul Seixas, que dentre outros, me ensinou a ser uma “metamorfose ambulante”. Muito melhor, não há dúvida, ao menos para mim, do que sempre “ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Sobre isto preciso falar mais. Interessa-me muito compreender as razões pelas quais as pessoas gostam tanto dos seus conservadorismos. Prezo por entender o porquê de desejarem com veemência afirmar que algo tem que ser de uma determinada “forma” porque “sempre foi assim”. Péssima escolha, eu acho. Somos convidados às mutações o tempo todo. “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará” (Lulu Santos). O mundo muda. A sociedade muda. Os discursos mudam. Mudam as práticas. A cultura se modifica. E o ser humano muda, queiramos nós ou não. Diga-se de passagem, as religiões mudam.

É isto. Quem pode dizer que as religiões não mudam? Será que podemos falar de “cristianismo” ou seria minimamente salutar falarmos de “cristianismos”? Ainda que algum “fundamentalista” grite dizendo haver “uma essência” que não muda – será? – as religiões se alteram o tempo todo. Mas, para não ser somente contrário aos ditos “fundamentalistas”, quero defendê-los também.

Eles estão parcialmente certos. Há algo que parece de fato fazer parte da essência das práticas religiosas. Não quero generalizar. Não quero mesmo. Porém, vejo que, como religioso que sou, existe algo de essencial em todas as religiões. Refiro-me ao potencial e capacidade dos seres humanos fazerem o mal a outros seres humanos em nome da fé. Refiro-me à possibilidade da religião ser usada para ferir pessoas e não para acolher e amar pessoas. Blaise Pascal, sabiamente disse: “Os homens nunca fazem o mal tão completa e alegremente como quando o fazem por convicção religiosa.” É verdade. Tão verdade que possivelmente já exista, a partir da leitura desse texto, homens e mulheres desejosos de fazerem o mal. A mim – para eles e somente para eles – em nome de Deus. Para o bem da Igreja de Deus. E, pasme você, eles acreditam que é também para o meu bem. Vai entender…

Gosto da religião que inclui, ensina a amar, respeita as diferenças, preza pelo ser humano, liberta, não oprime, não marginaliza, faz brotar vida e não morte, prega a Graça de Deus, combate legalismos, puritanismos, moralismos, tudo o que Jesus Cristo ensinou e que, ao que tudo indica, não aprendemos muito bem. O que somos? Religiosos de uma má religião? Não sei bem como é com você. Eu acho que um dia já fui assim. Mas, se aprendi “direitinho” com o Raul, minha consciência me leva para um outro lugar. Menos vergonhoso. Menos “religioso”. Mais no caminho daquele que nos chamou. Que, se conhecemos bem, muito criticou a religião fundamentalista do seu Seu tempo. No caminho d’Ele, na contramão da religião que mata, procuro caminhar. É o melhor caminho. E para que ninguém me acuse de ser herege, é o único caminho. Satisfeito?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ideologia, eu quero uma pra viver!


“Meu partido, é um coração partido, e as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos tão barato que eu nem acredito...
Eu vou pagar a conta do analista pra nunca mais ter que saber quem eu sou
Ah! saber quem eu sou.. Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro..
.” Ideologia – Cazuza


A juventude está sempre em busca de uma ideologia.

Em todas as gerações podemos perceber a busca pela quebra das regras, o sentimento de pertença em grupos que se diferenciam, seja pelo jeito de se vestir, de se portar, das músicas que ouve ou as práticas políticas.

Nessa realidade, também existe a religião. Nessa busca por um sentido, e para fugir do que é considerado mal pela sociedade (drogas, álcool, sexo livre, etc.), muitas/os jovens se apegam a religiões que abrem mão disso tudo, e colocam outros vícios no lugar.

Quero falar de uma onda que cerca o cristianismo protestante: os jovens evangélicos moralistas. Meninos e meninas de 15 a 22 anos, que se encontram num discurso de abdicação de todo prazer corporal e se fixam numa busca diária pelo relacionamento com Deus através de oração, leitura bíblica e muito evangeliquês (expressões que só os evangélicos entendem, como “sou lavado pelo sangue”, “sob o manto”, mas que eles falam como se todos soubessem do que eles estão falando). Essas/es jovens participam de cultos e encontros quase que diariamente, ouvem apenas músicas evangélicas, leituras voltadas para a busca de santidade, passam quase que o dia todo com discurso espiritual e proselitista.

Essa busca espiritual poderia até ser saudável. Porém, sua religiosidade se torna fundamentalista. Começam a espiritualizar tudo, dicotomizam a vida em Deus e diabo, pecado e santidade, corpo e alma, e condenam as pessoas que não seguem os mesmos princípios. Pregam um Deus de juízo, de castigo, de maldição. Iniciam uma jornada de caça às bruxas e santidade absurda, levando-os/as a não se perdoarem quando não alcançam esses propósitos de pureza, ou ainda, a terem uma grande decepção com o divino quando as bênçãos em troca de santidade não são alcançadas.

E é aqui que entra a grande questão. Quando esse tipo de religiosidade não dá conta da vida desses jovens, quando esse tipo de Deus não responde do jeito que esperavam, quando os desejos próprios de sua idade vencem a pureza que tanto buscam, acontece uma virada em suas vidas. Com a mesma paixão que se dedicaram à religião, agora iniciam um ódio sem medida contra ela. Mudam o discurso para uma agressividade contra Deus e ao cristianismo; gostam de provocar com frases e posturas que caminham na direção oposta do que um dia viveram. Supervalorizam a sexualidade livre e exaltam tudo o que é anticristão. Com a mesma intensidade que encontravam um sentido no fundamentalismo religioso, se jogam agora numa autodestruição suicida, de ódio contra si mesmo e contra o resto da humanidade; não vêem mais sentido na vida e muitos até ferem seus corpos; o sexo se torna um caminho para a autoflagelação, e não para o prazer.

“Ideologia, eu quero uma pra viver”, já dizia Cazuza. A juventude busca ideiais, busca sentido nessa vida na qual se prega que os prazeres devem ser sempre realizados. É fato que existe um vazio a ser preenchido, que todos buscam coisas, pessoas ou causas para sentirem-se completos. Mas esse tipo de evangelho realmente assusta. Vidas estão em risco. Não há suporte emocional e espiritual para quem se decepciona com essa vivência.

Espero que essa moda passe; espero que exista a possibilidade de uma religiosidade saudável na vida dessa juventude, na qual se possa viver uma vida com prazer, sem extremos de hedonismo ou privação desses prazeres.

Que encontremos a ideologia que tanto buscamos, mas que através dela, nos sintamos preenchidos, realizados e não castrados. E que essa ideologia nos aproxime do próximo e, principalmente, nos ajude numa espiritualidade saudável, que nos aproxime de nós mesmos e no divino que existe em nós! Que assim seja.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Grito dos Excluídos 2011 - Frei Betto

O lema do 17o Grito é "Pela vida grita a Terra... Por direitos, todos nós!" Trata-se de associar a preservação ambiental do planeta aos direitos do povo brasileiro.

O salário mínimo atual -R$ 545,00- possui, hoje, metade do valor de compra de quando foi criado, em 1940. Para equipará-los, precisaria valer R$ 1.202,80. Segundo o DIEESE, para atender as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, conforme prescreve o art. 7 da Constituição, o atual salário mínimo deveria ser de R$ 2.149,76.

As políticas sociais do governo são, sem dúvida, importantes. Mas não suficientes para erradicar a miséria. Isso só se consegue promovendo distribuição de renda através de salários justos, e não mantendo milhões de famílias na dependência de recursos do poder público.

O Brasil começa a ser atingido pela crise financeira internacional. Com a recessão nos países ricos, nossas exportações tendem a diminuir. O único modo de evitar que o Brasil também caia na recessão é aquecendo o consumo interno - o que significa aumento de salários e de crédito, e redução dos juros.

A população extremamente pobre do Brasil é estimada em 16 milhões de pessoas. Dessas, 59% (9,6 milhões de pessoas) estão concentradas no Nordeste.

Dos que padecem pobreza extrema no Brasil, 51% têm menos de 19 anos e, 40%, menos de 14. O desafio é livrar essas crianças e jovens da carência em que vivem, propiciando-lhes educação e profissionalização de qualidade.

Um dos fatores que impedem nosso governo de destinar mais investimentos aos programas sociais e à educação e saúde é a dívida pública. Hoje, a dívida federal, interna e externa, ultrapassa R$ 2 trilhões. Em 2010, o governo gastou, com juros e amortizações dessa dívida, 44,93% do orçamento geral da União.

Quem lucra e quem perde com as dívidas do governo? O Grito dos Excluídos propõe, há anos, uma auditoria das dívidas interna e externa. Ninguém ignora que boa parcela da dívida é fruto da mera especulação financeira. Como aqui os juros são mais altos, os especuladores estrangeiros canalizam seus dólares para o Brasil, a fim de obter maior rendimento.



Há um aspecto da realidade brasileira que atende à dupla dimensão do lema do Grito deste ano: preservação ambiental e direitos sociais. Trata-se da reforma agrária. Só ela poderá erradicar a miséria no campo e paralisar o progressivo desmatamento da Amazônia e de nossas florestas pela ambição desenfreada do latifúndio e do agronegócio.

Dados do governo indicam que, no Brasil, existem, hoje, 62,2 mil propriedades rurais improdutivas, abrangendo área de 228,5 milhões de ha (hectares). Mera terra de negócio e, portanto, segundo a Constituição, passível de desapropriação.

Comparados esses dados de 2010 aos de 2003, verifica-se que houve aumento de 18,7% no número de imóveis rurais ociosos, e a área se ampliou em 70,8%.

Se o maior crescimento de áreas improdutivas ocorreu na Amazônia, palco de violentos conflitos rurais e trabalho escravo, surpreende o incremento constatado no Sul do país. Em 2003, havia nesta região 5.413 imóveis classificados como improdutivos. Ano passado, o número passou para 7.139 imóveis - aumento de 32%. São 5,3 milhões de ha improdutivos em latifúndios do Sul do Brasil!

De 130,5 mil grandes propriedades rurais cadastradas em 2010, com área de 318,9 milhões de ha, 23,4 mil, com área de 66,3 milhões de ha, são propriedades irregulares - terras griladas ou devolutas (pertences ao governo), em geral ocupadas por latifúndios.

O Brasil tem, sim, margem para uma ampla reforma agrária, sem prejuízo dos produtores rurais e do agronegócio. Com ela, todos haverão de ganhar - o governo, por recolher mais impostos; a população, por ver reduzida a miséria no campo; os produtores, por multiplicarem suas safras e rebanhos, e venderem mais aos mercados interno e externo.

[Frei Betto é escritor, autor do romance "Minas do Ouro" (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/twitter:@freibetto.
Copyright 2011 - FREI BETTO - Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato - MHPAL - Agência Literária (mhpal@terra.com.br)]

Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais
Fonte: CEBI - Centro de Estudos Bíblicos

quarta-feira, 27 de julho de 2011

E se Deus fala não? E se Deus não fala nada...


Pode ser que não passe, pode não haver cura, pode acontecer o contrário do que queremos.

E aí? A fé se sustenta?

Temos aprendido que “somos vencedores”, que se tivermos fé, tudo pode acontecer. Mas não é isso que a Bíblia fala.

O texto que todo crente usa, que diz: “em todas estas coisas somos mais que vencedores” (Romanos 8.37), é usado pra nos convencer de que nunca perderemos, que merecemos sempre o melhor. Mas os versículos anteriores falam exatamente o contrário.

O texto fala de todo mal que pode nos atingir, de todos os problemas que poderiam enfraquecer nossa fé:
“Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: "Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro" (Romanos 8.35, 36)

Esse texto nos deixa claro que estamos sujeitos aos mesmos problemas que qualquer outra pessoa, cristã ou não: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada... Poderíamos contextualizar todas essas coisas: ficar inquieta, ter depressão, pânico, não ser compreendida e ser excluída, passar fome ou vontade de comer, não ter condições de comprar roupas novas, ficar a mercê de toda violência do dia a dia, ter medo de assaltos, agressões ou estupros, temer armas de fogo, e guerras que podem se aproximar a qualquer momento. E mais, enfrentamos a morte todos os dias.

Nossa, isso é tudo, menos o triunfalismo que o cristianismo atual prega.
Mas se podemos passar por tudo isso, qual a diferença, então, de ter fé? O texto diz que nada disso pode nos separar do amor de Cristo. De novo o amor, a verdadeira mensagem do cristianismo. É o amor de Cristo que nos sustenta, que nos dá forças pra enfrentar todos esses possíveis problemas que nos acometerão.

Aí sim, cabe o trecho: "Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Romanos 8.37). Somos vencedores, não porque não vamos passar pelos problemas, ou porque venceremos todos eles, mas pelo simples fato de podermos passar por eles fortalecidos pelo amor de Cristo.

Pode ser que Deus não fale. Pode ser que ele diga não.

Mas lembre-se: Seu amor nos basta.

“Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Romanos 8.38,39)

Imagem: Frida Kahlo "Without Hope"

sábado, 21 de maio de 2011

Em Nome de Deus


A religião existe desde o princípio. Quando o ser humano percebeu que não podia explicar o mundo e seus fenômenos, antes das descobertas científicas a respeito do universo como o conhecemos, a religião foi a forma encontrada para tentar entender nossa existência.

O relato de Gênesis, que fala da trágica ruptura entre a divindade e o ser humano, descreve essa busca pela “felicidade perdida”, o anseio do finito sobre o infinito.

“Está na essência da religião o esforço no sentido do eterno retorno às suas origens místicas, assim como para a manifestação de uma ordem sempre ameaçada pelo caos.” Antônio Mendonça

Do latim religio ou religare, religião significa um laço entre os homens e deuses, ou seja, ela foi criada para fazer essa religação (perdida) entre Deus(a)/es e o ser humano.

Os anos se passaram, os/as deuses/as continuaram sendo criados/as e adorados/as. Houve um tempo em que a sociedade pensou não precisar mais deles/as. Alguns deuses/as permaneceram. E apesar do hedonismo de nossa era nos levar ao divino apenas em troca de sua graça, a religião é bem presente na nossa sociedade atual.

Com a religião, teoricamente nos acompanha a ética. A religiosidade nos faz buscar sermos pessoas melhores, fazer o bem, nos aperfeiçoar como religiosos/as, a fim de agradarmos a Deus.

Mas a religiosidade que vemos hoje está há muito tempo distante dessa busca pelo divino. Essa prática não tem sido efetiva em nos tornar pessoas melhores.

Com a religião, o ser humano tem se tornado mais individualista (sua fé é só dele/a), mais moralista (regras e dogmas, que fogem ao controle) e, o mais grave, mais alienado/a e fanático/a.

Pessoas matam em nome de Deus.

E com isto, não estou criticando o islamismo (o que é muito comum nos últimos dias), estou falando da minha religião, o cristianismo. Confira a história. Desde o início, os cristãos morrem e matam em nome de “seu único Deus”. Quantos homicídios, quantas chacinas, quantas guerras, em nome desse Deus, que segundo a tradição, é um Deus de amor e perdão. Tão incoerente.

Você pode argumentar, dizendo que não mata em nome do Deus cristão, mas pode ofender o próximo, o odeiar quando este não faz o que para você é certo, desprezar aqueles com religiões e posturas diferentes da sua. Que tipo de religiosidade é essa? Que tipo de cristianismo é esse?

A religião cristã deve nos levar até Deus, nos ensinar o amor, nos encher de esperança diante de toda essa loucura, nos tornar pessoas melhores e mais tolerantes.

“(...)religião significa ser tocado pelas questões últimas, ter levantado a pergunta acerca do ‘ser ou não ser’ em relação ao significado da própria existência e tendo símbolos pelos quais a questão é respondida(...)ser tocado de maneira última a respeito do próprio ser, a respeito de si mesmo e do mundo, a respeito do significado deste, de sua alienação e finitude.” Paul Tillich

Espero que nossa religiosidade nos aproxime de Deus, nos aproxime de nós mesmos, com consciência, e principalmente, nos aproxime do nosso semelhante.
Que nosso cristianismo seja um cristianismo de amor, tolerância e de verdadeira, pura e consciente relação com o Divino.
E que, em nome de Deus, nós AMEMOS.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O SENHOR DA MINHA FÉ - Frei Betto

O SENHOR DA MINHA FÉ

(Frei Betto, Brasil)

Não creio no deus dos magistrados, nem no deus dos generais, ou das orações patrióticas.

Não creio no deus dos hinos fúnebres, nem no deus das salas de audiências, ou dos prólogos das consti­tuições ou dos epílogos dos discursos eloqüentes.

Não creio no deus da sorte dos ricos, nem no deus do medo dos opulentos, ou da alegria dos que roubam do povo.

Não creio no deus da paz mentirosa, nem no deus da justiça impopular, ou das venerandas tradições na­cionais.

Não creio no deus dos sermões vazios, nem no deus das saudações protocolares, ou dos matrimônios sem amor.

Não creio no deus construído à imagem e semelhança dos poderosos, nem no deus inventado para sedativo das misérias e sofrimentos dos pobres.

Não creio no deus que dorme nas paredes ou se es­conde no cofre das igrejas. Não creio no deus dos natais comerciais nem no deus das propagandas colo­ridas. Não creio no deus feito de mentiras, tão frágil como o barro, nem no deus da ordem estabelecida sobre a desordem consentida.

O DEUS da minha fé nasceu numa gruta. Era judeu, foi perseguido por um rei estrangeiro, e caminhava errante pela Palestina. Fazia-se acompanhar por gente do povo; dava pão aos que tinham fome; luz aos que viviam nas trevas; liberdade aos que jaziam acorrenta­dos; paz aos que suplicavam por justiça.

O DEUS da minha fé punha o homem acima da lei e o amor no lugar das velhas tradições.

Ele não tinha uma pedra onde recostar a cabeça e confundia-se entre os pobres...

O DEUS da minha fé não é outro senão o Filho de Maria, Jesus de Nazaré.

TODOS OS DIAS ELE MORRE CRUCIFICADO PELO NOSSO EGOÍSMO.

TODOS OS DIAS ELE RESSUSCITA PELA FOR­ÇA DO NOSSO AMOR.

(Extraído do livro Salmos Latino-Americanos)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vai ficar tudo bem?

No momento mais difícil da sua vida, quando você descobre uma doença, ou algum ente querido morre, tudo o que você pensa é “por quê?”.
Não há como entender ou aceitar.
Não sabemos lidar com perdas, separações.
Nos sentimos sós, abandonados, sem chão.
É o momento de se conhecer melhor, de questionar a vida, de buscar uma outra direção.

Mas aí, chegam eles, os crentes.
E por não saberem o que dizer e não se importarem com a dor do próximo, simplesmente dizem: “Foi da vontade de Deus”, “vai ficar tudo bem”.

Foi da vontade de Deus???
Isso é tudo que você tem a dizer?

É insensibilidade demais, descaso com a dor alheia.

É um momento de sofrimento, de questionar suas crenças.

Não, não vai ficar tudo bem!
Eu não quero ouvir isso.
Quero ouvir que dói, que é uma merda, que mesmo sem ter o que fazer, você vai estar ao meu lado, que essa dor vai durar um tempo, mas eu vou aprender a lidar com ela, mas ela não vai passar.

Não venha jogar versículos na minha cara.
Você tem mesmo que citar algum versículo? Então use este: “Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram.” Romanos 12.15.

Chore comigo.

É muito simples.
Se importe.
Será que você consegue?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Carnaval, tempo de fuga?

Ah, o Carnaval.

A coisa mais linda do Carnaval é a bateria.
Mais de 200 instrumentos harmonizados, unidos; pessoas que tocam com a alma e que, em perfeita sincronia, manifestam a alegria e a beleza de ser brasileiro.

Pena que não é só isso.

Quando chega a época de Carnaval, lembramos de mulheres semi-nuas, bundas, peitos, putaria!
“Use camisinha”, “vou pegar geral”, são as palavras mais ouvidas quando chega essa festa nacional.

Perdemos a poesia, a diversão em comunidade, a reverência aos músicos, que se preparam durante tantos meses, para nos deliciarem com uma musicalidade peculiar de nossas raízes.

Mas o que quero ressaltar aqui não é nada disso.

Para os evangélicos, Carnaval é tempo de FUGA.
Eles aproveitam o feriado, se unem e correm para algum retiro – espiritual? – na intenção de não participarem da “festa da carne”.
Alguns até mesmo afirmam ser este um momento de evangelização.

Não duvido de suas intenções.
Eu já fui uma delas, que reunia o máximo de jovens que conseguia, para levá-los comigo a um lugar separado, longe de toda essa “putaria”, para assim, apresenta-los ao Evangelho.

Será que este é o caminho?
Fugir da realidade, sair de perto do nosso “próximo”, nos esconder do que não concordamos?

Que tipo de Evangelho é esse, que faz com que aqueles que já o conhecem, num sentimento – talvez inconsciente – de superioridade, se separem dos que não aceitam sua verdade?

É o que Jesus faria?
Numa festa grande como essa, Ele se afastaria com seus discípulos para um retiro espiritual, ou estaria no meio do povo, falando de seu amor, cuidando das/dos desesperançosas/os, tratando suas desilusões, mostrando que está presente, festejando ao lado delas/es?

Não estamos mais nas décadas de 1980/90, tempo em que o evangelismo voltado para os jovens era feito através de pregações em praça pública, tempo em que ser evangélico era ser honrado e respeitado, tempo em que “ser gospel” estava na moda.
Esse tempo passou.
Precisamos repensar os métodos.
E, muito além disso, precisamos repensar a verdadeira intenção de nossos atos.
Queremos lotar nossas igrejas de pessoas alienadas de tudo, ou mostrar a elas o verdadeiro amor, inclusivo, respeitoso, cuidadoso?

Igreja, acorda!
Vivemos novos tempos!
Não olhem para as/os jovens com desprezo, como se tudo o que elas/es sabem não valesse nada, como se tudo o que elas/es precisassem em suas vidas se resumisse a freqüentar a igreja aos sábados e domingos, e fazer parte do grupo de louvor.

Não se escondam atrás de um véu de espiritualidade, que não convence nem seus próprios membros.
Saia de sua zona de conforto e mostre, através da sua vida, dos seus atos, do seu posicionamento no dia-a-dia – no meio da festa – como é viver com Cristo.

Igreja, se mostre!
Com amor, respeito e com a alegria de ter sido abençoada/o por ter nascido brasileira/o.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

2011...

Sem misticismo e falsas promessas. Um novo ano se inicia, mas não nos esqueçamos que é apenas a continuidade de nossa caminhada. Mesmo assim, nos apeguemos à idéia da renovação.

Que coloquemos de lado nossa indiferença. Que realmente amemos nosso próximo, a ponto de lhes desejarmos o que desejamos a nós mesmos. Que salte aos nossos olhos a necessidade dos desafortunados, e além disso, que tomemos atitudes em seu favor. Que não julguemos os diferentes, mas os enxerguemos como gostaríamos de ser enxergados.

Que nós paremos de uma vez com o discurso ecologicamente correto, e realmente atuemos em favor de nosso planeta.

Que não sejamos mais tão egoístas e mesquinhos, que aprendamos a compartilhar e querer o bem dos que nos cercam.

Que nossa fé não se baseie em trocas, crendices ou superficialidades. Que nos entreguemos ao divino de olhos fechados, crendo contra a esperança, tendo certeza do incerto.

Que não usemos o nome de Deus para manipular as pessoas, nem sua misericórdia como desculpa para pecar.

Que o EU morra de fato. Que sejamos NÓS, parte do mesmo corpo, e CRISTO, o cabeça.

Que o cristianismo que morreu já naquela cruz, ressuscite em nós, como Cristo ressuscitou ao terceiro dia. Que sejamos a prova de que nosso Deus não está morto, e sim, essa sociedade cristã e seu deus criado.

Que sejamos menos ignorantes, menos imaturos, e busquemos o conhecimento, a sabedoria, a palavra – o logos.

Que entendamos as coisas como elas realmente são, e não tiremos nossas conclusões baseadas em opiniões próprias.

Que não sejamos mornos, religiosos, vazios. Mas calorosos, vivos, transbordantes.
Que não usemos a virada do ano como desculpa para mudar o que já deveria estar mudado. Mas que aproveitemos esta nova chance de renovar, recriar, reviver.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um Negro Natal


de Edmilson Schinelo
Fonte: www.cebi.org.br



"A comunidade negra de uma região do Rio de Janeiro desejava, no ano de 2010, realizar uma mostra de seus principais símbolos e elementos religiosos. Numa atitude de abertura e acolhida, a reverenda da Igreja Anglicana abriu as portas da congregação para o evento, gesto concreto de diálogo inter-religioso. Mas o que a reverenda não esperava era a reação de alguns fiéis.

Na visão deles, o templo tinha sido profanado, uma vez que representações dos orixás haviam sido introduzidas no espaço sagrado! Esse grupo de fiéis exigiu a purificação e reconsagração do templo, como nos tempos da Idade Média ou na época de Josias (2Rs 23)! Imagens negras adentrando um templo de um "deus branco"!

Por outro lado, as celebrações natalinas no Brasil cedem mais e mais aos apelos do deus mercado. As próprias igrejas começam a aceitar as imposições, cada vez distinguindo menos o que é religião ou cultura popular daquilo que é interesse de mercado. Tem se tornado cena quase comum, na noite de Natal, acolher com palmas a entrada de Papai-Noel nos templos, como o ponto mais alto de missas ou cultos natalinos. Não seria esse gesto uma profanação do espaço sagrado? Ou não seria problema, visto que Papai-Noel é a imagem de um deus branco? É uma questão de aguçar o olhar, de observar como nossos sentidos vão se adaptando a "outros costumes" que moldam nosso comportamento. Por um lado, aumenta na sociedade o fundamentalismo religioso. Basta lembrar o peso que se deu a discussões religiosas realizadas de maneira infantil ou até mesmo maldosa na última campanha presidencial. Por outro lado, este mesmo fundamentalismo não questiona a idolatria do capital. É bom não esquecermos que, no Brasil, adotamos um Natal cada vez menos cristão. Isso se expressa não só na cópia de símbolos europeus, mas no peso que se dá a uma figura produzida e divulgada pela multinacional Coca-Cola.

Evidentemente, não precisamos ir a outros extremos, deixando de valorizar coisas boas que a figura do Papai-Noel traz, especialmente para o sonho das crianças. Melhor seria recuperar o original São Nicolau, o que parece não ser mais possível. Entretanto, na busca de um equilíbrio, devemos pelo menos assumir o racismo imposto pelo mercado: por que a introdução de um símbolo do deus consumo, criado pela sociedade branca, não profana um templo? E por que o diálogo com religiões de matriz africana, a priori já é considerado uma profanação?

Conta o Evangelho de Lucas que os primeiros a visitar Jesus, ainda naquele curral que serviu de templo para acolher a Deus Criança, foram os pastores (Lc 2,8-20). Na versão de Mateus, quem visitou Jesus foram magos estrangeiros (Mt 2,1-12). Em ambos os casos, gente não muito aceita pela religião oficial. Para vários grupos fundamentalistas, isso também seria profanação. Para a sabedoria popular, regada pela ação do Espírito, com certeza, não! Pois o próprio Espírito ajudou a tradição popular a reconhecer em um dos magos o representante do povo negro.

Sabemos que no Brasil mais da metade da população é afrodescendente. Não por coincidência, é a população mais empobrecida e discriminada. Não deixemos que nossa vivência religiosa legitime o preconceito e eternize esse fosso social no qual só há lugar para o verdadeiro Deus em estrebarias.

A você um negro e santo Natal!"

sábado, 13 de novembro de 2010

Vamos matar o vírus protestante

“Não é mais possível tolerar esse VÍRUS PROTESTANTE como se fosse a coisa mais natural do mundo um grupo de pessoas começar sua própria igreja, que reflete suas fraquezas, temores e suspeitas, alimenta seus preconceitos e as faz sentirem-se confortáveis e relaxadas.”
(David Bosch – “Missão Transformadora”)

Adorei esse termo usado por Bosch “vírus protestante”. Essa proliferação de igrejas é um vírus mesmo, uma doença que se espalha a cada dia, com cada igreja que aparece todos os dias.

Igreja para tatuados; igreja para roqueiros; igreja para tradicionais; igreja para ricos; igreja para pobres; igreja para velhos; igreja para jovens...

Mas eu pergunto: E A IGREJA DE CRISTO?? Cadê?

Sem contar a criatividade:
• Igreja de Deus que se Reúne nas Casas (Itaúna - MG)
• Igreja Pentecostal do Fogo Azul (Duque de Caxias - RJ)
• Ministério Favos de Mel (Rio de Janeiro - RJ)
• Igreja a Serpente de Moisés, a que Engoliu as Outras (Rio de Janeiro - RJ)
• Igreja Atual dos Últimos Dias (Araras - SP)
• Igreja Evangélica Facho de Luz (São Bernardo do Campo - SP)
• Igreja Pentecostal Barco da Salvação (Mauá - SP)
• Igreja Pentecostal Jesus Vem Você Fica (São Paulo - SP)
• Igreja Pentecostal o Senhor Pelejará por Vós (Santo André - SP)
• Igreja Pentecostal Povo de Deus Marcha (Orlândia - SP)
• Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação (Presidente Prudente - SP)
• Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo (São Paulo - SP)
(Fonte: http://missionarios.blogspot.com)

Onde isso vai parar?

A igreja não existe para agradar as pessoas, para concordar com posturas teológicas ou legitimar atitudes.

A Igreja é a família de Deus, formada pelos seguidores de Cristo, que professam o seu nome. Essa família é muitas vezes chamada, na Bíblia, de “Corpo de Cristo”. A Bíblia fala que nesse corpo, Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo. Cada membro faz parte desse corpo. Você vê mãos andando separadas do corpo? Ou um pescoço passeando por aí? Ou uma barriga sobrevivendo sem o resto? Não. Cada membro do corpo precisa dos outros e, principalmente, da cabeça, pra existir.
Cada vez que nos separamos, que criamos nossas próprias doutrinas, que escolhemos esta ou aquela igreja, simplesmente para satisfazer nossos desejos egoístas, estamos fugindo do propósito de ser a Igreja de Cristo.

Quando se refere ao corpo de Cristo, a Bíblia não fala “igrejas”, mas “A Igreja”. “Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo [...]” Efésios 1.22 e 23.

A Igreja é UNA.

O corpo de Cristo é UM.

Somos UM SÓ.

A irmã de cabelão e saia é da mesma família espiritual do moleque todo tatuado; o pentecostal do “reteté” é da família da mulher tradicional, que mal levanta a mão; a menina da igreja que acabou de começar é da família do senhor da igreja mais antiga...

Se confessarmos que Jesus Cristo é o Senhor, e só através Dele somos salvos, estamos vivendo a mesma verdade: Cristo.

Vamos parar de pecar e julgar os outros. Não somos os donos da verdade. Não temos o direito de determinar quem é ou não de Deus.

Não importa qual é a sua igreja/denominação. Se você declara e vive este credo [1], você é parte da família de Cristo:

“Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra.
Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Católica; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.”

[1] O Credo Apostólico. É atribuído à tradição dos apóstolos. Foi escrito, provavelmente, pelas igrejas dos primeiros séculos. Alcançou sua forma definitiva por volta do século VI.

Queridas cristãs e queridos cristãos: SOMOS UM!

“[...] assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo [...] vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.” I Coríntios 12.12 e 27.

domingo, 31 de outubro de 2010

Deus escolheu?

Os evangélicos batem no peito e dizem:
“Deus vai escolher quem vai governar o nosso país!”

Não é contraditório? Se o vice em questão é realmente, segundo difamações evangélicas, um satanista, Deus o escolheria para governar nosso país? Pois foi o que aconteceu hoje!!

Quando boas coisas, aos seus olhos, acontecem ao povo evangélico, foi Deus quem mandou; quando algo é ruim, e está fora do controle, é o diabo. Onde entra a NOSSA responsabilidade? Para escolher, para defender o que acreditamos, para realmente fazer a diferença na sociedade?

Nós temos o poder nas mãos. O poder de cuidar do nosso planeta, poder para escolher nossos governantes, poder para cuidar dos marginalizados: pobres, moradores de rua, órfãos, doentes, dependentes químicos, etc. Nós temos o poder e a responsabilidade.

Chega de jogar tudo nas mãos de Deus ou do diabo, o próprio Deus nos deu este mundo para cuidarmos, e nós só o destruímos. Não ligamos para o nosso próximo, apenas para as nossas conquistas pessoais.

Deus NOS escolheu para amar, cuidar, proteger e lutar pelo nosso planeta, pelo nosso país e pelo nosso próximo.
Vamos honrar essa responsabilidade e agir como verdadeiros servos de Deus.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Apelo às minhas e meus irmãos em Cristo

Queridas irmãs e queridos irmãos,

Como serva de Deus, quero fazer um apelo a vocês.
O segundo turno está chegando, então peço que abram seus corações e, diante de Deus, se disponibilizem para ouvir a voz da justiça. Sem estereótipos, preconceitos, ou opiniões pré-formuladas (por outros). Tentem tirar sua visão de um único ponto de vista e ouçam o outro lado.
Não possuo A verdade, não tenho o direito de dizer aos outros qual é o caminho que deve ser seguido. Mas tenho a responsabilidade, como cidadã e como cristã, de questionar a injustiça que vem sendo feita e levá-las/os a pensar.


Estas eleições mexeram significativamente com os eleitores evangélicos. Fomos desafiados a pensar nossa fé e obediência à Palavra de Deus. Questões éticas e morais foram colocadas à prova diante da decisão de escolher nossos novos governantes.
Infelizmente, no decorrer dessa campanha, as coisas ficaram bem confusas. Colocamos de lado nossa busca por Justiça Social, nossa boa fé, e demos lugar à difamação e injúria. Ao invés de agirmos com amor e sabedoria, fomos guiados pelo ódio e intolerância. Fomos regidos pelo medo. O medo do desconhecido, o medo da mudança, medo do novo.
Textos bíblicos foram usados como pretexto, fora de seu contexto, para defender a fé evangélica. Mas eu pergunto: nossa fé precisa de defesa?


Já que os textos e comentários repassados pelas/os irmãs/os sempre continham muitas citações bíblicas, me proponho também a escrever esse texto, baseado na Bíblia e na interpretação de seus textos referidos.


Antes de tudo, erramos ao rotular e difamar pessoas, sem provas. Inventamos histórias sobre seu passado, colocamos palavras em suas bocas, passamos informações à diante, sem mesmo confirmar sua procedência. A Bíblia fala, lá no começo, “Não darás falso testemunho contra o teu próximo” Êxodo 20.16. Pecamos ao passar idéias, sem ao menos confirmar sua veracidade. “Portanto, você, que julga os outros é indesculpável” Romanos 2.1. Pecamos ao julgar nosso próximo. “Uma vez Deus falou, duas vezes ouvi, que o poder pertence a Deus. Contigo também, Senhor, está a fidelidade. É certo que retribuirás a cada um conforme o seu procedimento” Salmo 62.11,12. Não cabe a nós supor, formular um juízo na qualidade de juiz em relação ao próximo, pois é o Senhor quem decide. “(...) é do Senhor que procede a justiça” Provérbios 29.26. [1]

Além de nos acharmos no direito de julgar o próximo, cometemos a injustiça de julgar alguns de uma forma e a outros de forma diferente. Coube a nós decidir quem merecia ser colocado no réu, mesmo que outros tenham cometido “erros” semelhantes. Qual foi a medida? Quem decidiu aqueles que seriam os acusados, já que seus concorrentes praticavam e defendiam as mesmas causas pelas quais os “culpados” estavam sendo acusados? Por que não atinamos para esta questão? Nossos olhos estavam tão voltados ao grande alvo, imposto por alguém, que não percebemos o que estava tão perto. [2]


E o que dizer sobre nosso respeito às autoridades? É impressionante a falta de respeito que o brasileiro tem para com seus governantes. Podemos discordar do nosso governo, mas nunca faltar com o respeito. Ainda mais sendo filhos de Deus, que devem dar o exemplo. A Bíblia nos fala que devemos ser obedientes e respeitosos diante de nossos governantes: “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus institui, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. (...) Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Dêem a cada um o que lhe é devido: se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra.” Romanos 13.1-7. Não percebo em que momento nós, eleitores evangélicos, principalmente nessa campanha, demonstramos algum respeito por nossos líderes.


Porém, nosso maior erro em toda essa história, foi o de sermos conduzidos por um moralismo exacerbado. A pauta de toda essa discussão foi a preocupação com os bons costumes e o modo correto de proceder, de acordo, é claro, com certa interpretação da Bíblia. Foi tremendamente absurdo ter sido tão pouco citada a questão da corrupção, e substituí-la por motivos secundários, que nem mesmo foram bandeiras de campanha. Ficamos cegos por causa do medo e da nossa intolerância. Nos achamos no direito de julgar a todos, de excluir quem não aprovamos, mas quando é a nossa vez de sermos julgados, perdemos o rumo. Por trás da luta pela boa moral está o pavor de termos que aceitar o que não aprovamos e de nos tornarmos o réu. Em nenhum momento da história os evangélicos se moveram dessa forma contra corrupção ou injustiça social. Por que quando a questão sexual é levantada, os evangélicos estremecem? Por que tanto medo de pelo menos debater a respeito? Sabe o que isso me lembra? A hipocrisia dos fariseus. Eles lutavam pelos bons costumes e pela moralidade, mas Jesus os chamou de hipócritas: “Ai, de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. (...) Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e de cobiça. (...) Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade” Mateus 23.23-28. Temos negligenciado os preceitos mais importantes! Devemos eleger candidatos que busquem a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Baseamos nossas decisões no que é bonito por fora, no exterior, na hipocrisia. Não prestamos atenção no que há no interior dos candidatos em questão, se são sujos e cheios de ganância e maldade. A questão que estou levantando aqui não é se o aborto deve ser legalizado ou não, se os casais homossexuais podem se unir legalmente, mas que essas coisas não formam a base da campanha de nenhum dos candidatos. Além do fato de também serem questões levantadas pelos outros partidos e candidatos/as. Queridas/os, vamos falar a respeito, vamos debater. O medo levou evangélicos a agirem de forma intolerante. E usando a Bíblia para legitimar seus atos apologéticos.


Tudo o que peço, é que busquem a justiça. “O fruto da justiça será paz; o resultado da justiça será tranqüilidade e confiança para sempre” Isaías 32.17. Dêem um basta em toda essa campanha preconceituosa. Vamos agir como verdadeiros filhos de Deus e orar pela nossa nação. Vamos pedir a orientação de Deus para quem daremos nossos votos e buscarmos a verdade sempre. Líderes religiosos, tenham a sabedoria de orientar seus liderados com a verdade e não ditar o caminho que eles devem trilhar com base em falsas suposições. Irmãs/os, por favor, pensem, questionem, busquem. Não baseiem suas opiniões na mentira. Não deixem que a injustiça seja base de suas convicções. “Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene.” Amós 5.24

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” Filipenses 4.7


[1] Todas as mentiras criadas contra Dilma e o PT, e seus verdadeiros acontecimentos:
(Fonte: http://www.sejaditaverdade.net/)
A morte de Mário Kosel Filho: http://migre.me/1pfAb
A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura http://migre.me/1pfCc
O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família http://migre.me/1pfEJ
Marília Gabriela desmente email falso http://migre.me/1pfSW
Dilma não pode entrar nos Estados Unidos http://migre.me/1pfTX
Foto de Dilma ao lado de um fuzil é uma montagem barata http://migre.me/1pfWn
Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos: http://migre.me/1pfYg
Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem http://migre.me/1pfZH
Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa: http://migre.me/1pg1t
Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso: http://migre.me/1pg2F
Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo: http://migre.me/1pg58
Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso: http://migre.me/1pg6c
Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção: http://migre.me/1pg7p

[2] As mesmas supostas defesas do PT também defendidos pelo PSDB e Marina:
http://wwwcristianismolibertas.blogspot.com/
http://www.carlosapolinario.com.br/site/noticias_detalhes.php?Codigo=32
http://www.youtube.com/watch?v=s2CbETAPMzs

Leia este texto. É de um pastor presbiteriano, e é muito bom:
http://www.segundaigreja.org.br/noticias_view.asp?id=340

terça-feira, 5 de outubro de 2010

2º turno, 2ª chance

Antes de tudo, que fique esclarecido que não sou Petista.
Porém, estou horrorizada com a campanha que os evangélicos têm realizado contra o PT.
Já cresci ouvindo que o Lula comunista fecharia as igrejas e comeria criancinhas se fosse eleito! 8 anos se passaram, e isso não aconteceu, né!?
Busco o melhor pelo meu país, e procuro votar em quem eu acho que será mais benéfico para o Brasil, em todos os aspectos.



A maior bandeira levantada contra o PT, principalmente por parte dos evangélicos é a questão da união de homossexuais e da legalização do aborto.
Mas saibam que estas não são defesas exclusivas do PT!
O evangelista da Assembléia de Deus e vereador Carlos Apolinário, revoltado com essa atitude por parte dos evangélicos, se pronuncia contra isso e contra os absurdos discursos de Silas Malafaia e Paschoal Piragine.
(Para quem está cego(a), e usa argumentos supeficiais e preconceituosos na campanha contra o PT, isto é esclarecedor):



“José Serra, quando era prefeito de São Paulo, criou a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (CADS), órgão institucionalizado pelo prefeito Gilberto Kassab, em 19 de janeiro de 2008. Serra, quando governava São Paulo, assinou o decreto nº 55.588, de 17 de março de 2010, que permite o uso de nomes sociais por funcionários do Estado. Por exemplo, se um homem com o nome João quiser colocar em seu crachá de funcionário o nome Marieta, ele pode. Segundo o jornal Mensageiro da Paz (edição de setembro de 2010), órgão oficial da Assembleia de Deus presidida pelo eminente pastor José Wellington Bezerra da Costa, José Serra é a favor da união civil homossexual e da adoção de crianças por homossexuais. Também de acordo com o Mensageiro da Paz, Serra, quando era ministro da Saúde, editou a Norma Técnica que permitiu que os hospitais conveniados com o SUS praticassem abortos pela primeira vez no Brasil.

Marina Silva, segundo o jornal Mensageiro da Paz (também na edição de setembro de 2010), é a favor da legalização civil das uniões homossexuais. “Marina defende que homossexuais que vivem como ‘casais’ tenham direito à herança conjunta, plano de saúde conjunto e direitos civis como qualquer casal”, diz o Mensageiro da Paz. Sobre a adoção de crianças por homossexuais, ela declara não ter posição. Em relação ao aborto, pretende transferir a decisão para os eleitores, com a promessa de realizar um plebiscito.

Geraldo Alckmin, como governador, sancionou a lei 10.948. de 5 de novembro de 2001, de autoria de um deputado do PT e aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa de São Paulo e que tem o objetivo de penalizar qualquer instituição acusada de discriminar gays. Segundo essa lei, a empresa acusada de discriminação contra homossexuais poderá ser multada e ter o seu alvará de funcionamento cassado.

Gilberto Kassab, como prefeito de São Paulo, enviou o projeto de lei nº 359/07, que tramita na Câmara Municipal de São Paulo e é praticamente uma versão municipal do PL 122/06, em tramitação no Congresso Nacional.
”


Fonte:

http://wwwcristianismolibertas.blogspot.com/
http://www.carlosapolinario.com.br/site/noticias_detalhes.php?Codigo=32
http://www.youtube.com/watch?v=s2CbETAPMzs


Evangélicos(as), pensem antes de declararem absurdos ou reproduzirem o que alguns líderes religiosos estão dizendo.
O 2º turno vem aí.
Temos uma 2ª chance!!!

domingo, 26 de setembro de 2010

Recado de um Candidato Evangélico


“Meus irmãos e minhas irmãs

Faltando apenas alguns dias para as eleições, quero dizer algumas palavras:
Você, evangélica(o), que é tão preocupada(o) com o Reino dos Céus, e acha que não pertence a esse mundo, muito obrigado!

Você que é tão apolítico, que acredita que apenas o fato do seu candidato ser evangélico já é o suficiente, continue assim.

Você que discrimina os outros candidatos por suas crenças e acredita em tudo que falam e em todos os e-mails que te mandam, parabéns!

É você que me faz crescer! É você que me ajuda a continuar roubando em nome de Deus.

É você que me dá forças pra que eu continue me envolvendo em corrupções, e a esconder dinheiro na meia, na cueca e até na “Palavra de Deus”!

Sem você, eu não estaria aqui, ganhando tanto dinheiro, fingindo servir a Deus através do meu trabalho. Sem o seu voto eu não ganharia dinheiro tão fácil, nem curtiria tantos passeios turísticos, enquanto há reuniões e decisões importantes a serem tomadas pelo nosso país.

Continue culpando o governo não cristão por todos os problemas do país e fazendo menos a sua parte na sociedade. Continue frequentando seus cultos semanais, achando que está cumprindo sua parte como cristão, e não olhe para os lados, para aqueles moradores de rua que passam por você, ou para aquelas crianças violentadas pelos próprios pais, que mal tem educação. Culpe o governo não cristão pelo aumento da violência familiar, e não faça sua parte, não se envolva na vida do seu próximo, não é da sua conta mesmo!

Leia seus salmos, cante seus louvores, e lembre-se de votar em mim no dia das eleições! Afinal, eu finjo que vou fazer tudo o que você tinha que fazer, mas na hora da aprovação das benditas leis que você tanto abomina, eu nem vou estar presente, provavelmente estarei usufruindo de meus benefícios como candidato eleito, porque no fim, você vai culpar esse governo ateu, mesmo!!

Querido(a) eleitor(a) evangélico(a), muito obrigado por continuar tão bitolado em suas crendices, por continuar tão apático, tão alienado, e assim, continuar elegendo e enchendo o parlamento com candidatos como eu: evangélicos – corruptos – sem culpa.

Vote em mim! Sou um "servo do Senhor"!”

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Evangélicos e Política



Quantos evangélicos fazem parte do meio político hoje, no Brasil? Nos últimos 30 anos, esse número aumentou de tal forma, que não temos dados precisos. Contudo, o que podemos afirmar precisamente é que, como afirmou Valdemar Figueredo Filho, no site www.batistas.com “não existe uma bancada de evangélicos, cada evangélico é um universo próprio, ligado à sua própria igreja, ou seja, os evangélicos estão em todos os partidos!”. O universo político está farto de evangélicos, e qual está sendo o resultado disso? Corrupção, roubos, envolvimento nos mensalões, dinheiro escondido nas meias, etc. Nos últimos escândalos políticos estão envolvidos 30 nomes de bispos, pastores e obreiros de igrejas evangélicas, o que representa quase metade de 62 parlamentares! Escândalos que não tem fim. Diante disso, poderíamos concluir que alguma coisa está errada, mas só o que ouvimos por parte dos evangélicos é “estamos sendo perseguidos”.

Os evangélicos alcançam os cargos pretendidos sem apresentarem proposta nenhuma! Simplesmente se identificam como “pastor fulano”, “homem de Deus”, “da igreja tal” e conseguem o cargo almejado. E o resultado disso? Uma bancada de políticos evangélicos inertes, cada vez maior, preocupados apenas em lutar contra o fechamento das igrejas e a perda da liberdade religiosa. E ainda pior, somos obrigados a testemunhar uma campanha ferrenha por parte dos evangélicos a favor de seus candidatos e uma mais intensa contra os não evangélicos. Nunca na história de campanhas políticas houve tanta moralização a respeito de aprovação de leis e opção religiosa dos candidatos e candidatas. Os evangélicos estão surtando em seu mundo fundamentalista. Não vejo em parte alguma eles defendendo uma bandeira, uma proposta política necessária, mas o esforço em demonizar os candidatos está fora do controle.

Como se tudo isso não bastasse, os pastores estão se aproveitando de sua influência sobre os fiéis, fazendo campanha política descaradamente em suas igrejas. Abusam de sua “autoridade espiritual” e expõem suas opiniões a favor de seus candidatos e contra os candidatos não evangélicos. No livro “Evangélicos e Política”, Celso Corsino (www.celsocorsino.com) revela que 71% dos membros da igreja votam em quem o pastor indicou. Isto é um abuso de autoridade, uma falta de ética por parte dos líderes religiosos.

Sim, podemos defender causas, podemos discordar das propostas, mas PELO AMOR DO DIVINO, parem de usar o nome de Deus em suas campanhas! Isto está saindo do controle. Este fundamentalismo está deixando os evangélicos cada vez mais cegos, sem propósito, alienados.

Evangélica/o, busque a justiça social, lute pela igualdade, conheça seus candidatos, PENSE. Pare de reproduzir falas, vídeos e e-mails, use a inteligência, e mais, vamos espiritualizar? Então use o discernimento! Peça a Deus por discernimento, por sabedoria, por justiça! Não repasse nada sem conferir e refletir sobre o assunto. Escolha a/o candidata/o por sua capacidade, por sua história, por suas propostas, não por sua opção religiosa. Não espiritualize tudo, seja sensata/o. Você tem grande responsabilidade como eleitor em suas mãos, portanto, não julgue falsamente, não cometa injustiça,
“Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene” Amós 5.24

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sou cristã apesar da igreja



Aprendi que o amor está acima de tudo;
Que somos todos iguais;
Que a justiça deve ser feita sempre.

Mas o que vemos hoje? Moralismo, ganância, hipocrisia, juízo...
Igrejas que, em nome de Deus, pregam uma falsa justiça, promovem curas físicas, mas não tratam corações cheios de ódio; uma exaltação de aparência socialmente aceitável, mas cheias de desejos tão pútridos, que chegam a feder. Uma desigualdade social absurda, que é justificada pela pseudo prosperidade que alegam ser desejada por Deus.

Isso é cristianismo?

Pastores que não se contentam mais com o simples título “pastor”, mas que precisam ser reconhecidos como bispo/a, apóstolo, e em breve, conheceremos até arcanjos e semideuses dirigindo igrejas! Manipuladores dissimulados, que usam o seu poder de persuasão para arregimentar seguidores que se tornam servos, cegos com as atitudes de seus líderes.

Cultos promovidos para ganhar dinheiro; shows de rock para alcançar os que não entrariam numa igreja comum; venda de CDs, em nome de missão...



ISSO NÃO É CRISTIANISMO.

Sei que vou ser rechaçada por causa deste texto, mas eu acredito num Deus de justiça, eu prego um Jesus igualitário, que não discrimina, que não julga, que nunca tirou dinheiro de seus seguidores. Sou cristã, e morro por essa causa.

Chega de falsos pastores (bispos, apóstolos e afins), que usam o nome de Deus pra esconder dinheiro na Bíblia, e que quando são presos, fazem com que seus seguidores tatuem o nome da igreja em suas peles – acredita nisso? – que colocam uma amante dentro da igreja e abandonam sua família, e fazem os fiéis ficarem ao seu lado; de pastores que se infiltram na política, com a promessa de transformarem a cena, mas que acabam sendo os mais sujos, ladrões gananciosos, que compraram o voto dos fiéis, com a confiança, que lhe é depositada. Chega de shows da fé, de ovelhas cegas, de ignorância, de mentira. Chega!

Eu me cansei disso.
Quem é cristão de verdade, pastor/a por vocação, vai concordar comigo.
Aqueles que se irritarem, é porque a carapuça serviu!
E que Deus tenha piedade de nós.

“Em vez disso, corra a retidão como um rio,
a justiça como um ribeiro perene”
Amós 5.24 (Bíblia)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

É do Diabo!!!

Se você não entende algo ou simplesmente não tem argumento, use esse chavão: “É do Diabo!” É mais fácil assim. Jogue fora tudo o que ouviu falar sobre amor, perdão, sobre não julgar o próximo. Porque, sendo você uma pessoa religiosa, automaticamente se torna superior. Você possui A verdade, não é mesmo?

Não precisa entender as coisas, é só espiritualizar tudo. Em tempos de eleição, isso fica bem claro. “Não pertencemos a esse mundo, fazemos parte do Reino do Céu”. Sejamos apolíticos, então! Ninguém presta mesmo! “Aquele candidato? É um ateu! Se for eleito, vai fechar todas igrejas!” “Aquela mulher? É uma liberal! Se for eleita, teremos que engolir casais homossexuais!” Nesses tempos, não há uma preocupação com um dos principais objetivos do cristianismo: a justiça social. Não é preciso saber o histórico da/do candidata/o em quem votar; não há necessidade de conhecer suas bandeiras, propostas e se há, no mínimo, uma busca por igualdade social; basta que seja “um servo do Senhor”. Pode não entender nada de política, ou mesmo pior, pode entender tudo de corrupção, contanto que seja evangélico, já é o suficiente pra ser eleito.

O que dizer do moralismo? Ah, o moralismo. É bom, porque alguém disseque era. Atos socialmente aceitos, que camuflam suas reais intenções ou conseqüências. “É proibido!” Esconda seus podres embaixo do tapete, arrume sua imagem, que está tudo bem. Critique fumantes e maconheiros e se entupa de drogas que são lícitas em sua casa; relaxantes musculares, calmantes, antidepressivos são legalizados, não é? Então, não é errado se automedicar. Quanto à aparência, se vista com trajes finos, que quer dizer que você tem bom caráter. Um terninho combinando com sua gravata, uma bolsa nude, que converse com seu sapato meia pata, são provas da pureza de sua alma. Mas esse negócio de tatuagem, acessórios e roupas pretas, são coisa de bandido, né?! Fale mal do seu irmão, julgue sempre o seu próximo, difame seus colegas, crie fofocas no ambiente de trabalho, o importante, é não faltar no culto de domingo. Assim, você purifica sua alma, e se prepara pra tentar ficar rica/o essa semana, porque é pra isso que você está nessa terra, “pra ser cabeça, e não cauda!”

E o sexo? Esse é o meu favorito! “Não olhe, não toque, não sinta, não cheire, não tenha!” Porque dizem que isso, vai te aproximar mais do Divino. É mais importante disciplinar uma jovem que “se corrompeu” e engravidou, do que estender a mão e ajudá-la. É mais fácil dizer que é proibido, e acreditar que isso foi suficiente, do que sentar pra ouvir e esclarecer as dúvidas pros jovens. É mais importante fingir que não estamos vendo o que está acontecendo, do que nos envolvermos com essa imoralidade em que o mundo caminha. Enquanto isso aumenta o número de infectados com doenças sexualmente transmissíveis; meninas engravidam cada vez mais cedo, e não têm estrutura física, social, financeira e emocional pra cuidar de um filho; adolescentes morrem todos os dias por abortos mal feitos. Mas o nosso papel é simplesmente dizer: “Não transe, adolescente, porque é errado!” (???) Não importa se a sua vida conjugal é um inferno, se você é infeliz, ou até apanha em casa, desde que estejam casados segundo a lei, “o que Deus uniu não separe o homem”. Deus?

Enfim, você é especial, não é mesmo? É um(a) escolhido(a) de Deus! É um(a) convertido(a). Dessa forma, não importam argumentos. Não se preocupe, você não precisa ser inteligente, apenas ter em mente o quão especial é, e que sua missão nesse mundo é trazer a ordem e o progresso, segundo seu pensamento retrógrada e preconceituoso.

Não se esqueça: não gostou de alguma coisa? É só apontar, fazer aquele olhar espiritual e gritar com toda autoridade “É do Diabo!”

Priscila O. Cardoso Pereira