As igrejas se proliferam todos os dias, como um vírus sem cura.
Mas o AMOR, a base de todo o Cristianismo, se esfria cada vez mais.
Ao invés de inclusão, a exclusão. No lugar da aceitação, o preconceito.
E quando não há explicação para tanto moralismo, ou base para esse falso cristianismo,
simplesmente ouvimos a expressão: "É DO DIABO!"

A falta de amor, a discriminação, a ignorância, isso sim pode ser considerado "coisa do diabo".
Que as/os cristã/os PENSEM.
E que o verdadeiro cristianismo seja buscado e vivido.
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quarta-feira, 2 de março de 2011

Carnaval, tempo de fuga?

Ah, o Carnaval.

A coisa mais linda do Carnaval é a bateria.
Mais de 200 instrumentos harmonizados, unidos; pessoas que tocam com a alma e que, em perfeita sincronia, manifestam a alegria e a beleza de ser brasileiro.

Pena que não é só isso.

Quando chega a época de Carnaval, lembramos de mulheres semi-nuas, bundas, peitos, putaria!
“Use camisinha”, “vou pegar geral”, são as palavras mais ouvidas quando chega essa festa nacional.

Perdemos a poesia, a diversão em comunidade, a reverência aos músicos, que se preparam durante tantos meses, para nos deliciarem com uma musicalidade peculiar de nossas raízes.

Mas o que quero ressaltar aqui não é nada disso.

Para os evangélicos, Carnaval é tempo de FUGA.
Eles aproveitam o feriado, se unem e correm para algum retiro – espiritual? – na intenção de não participarem da “festa da carne”.
Alguns até mesmo afirmam ser este um momento de evangelização.

Não duvido de suas intenções.
Eu já fui uma delas, que reunia o máximo de jovens que conseguia, para levá-los comigo a um lugar separado, longe de toda essa “putaria”, para assim, apresenta-los ao Evangelho.

Será que este é o caminho?
Fugir da realidade, sair de perto do nosso “próximo”, nos esconder do que não concordamos?

Que tipo de Evangelho é esse, que faz com que aqueles que já o conhecem, num sentimento – talvez inconsciente – de superioridade, se separem dos que não aceitam sua verdade?

É o que Jesus faria?
Numa festa grande como essa, Ele se afastaria com seus discípulos para um retiro espiritual, ou estaria no meio do povo, falando de seu amor, cuidando das/dos desesperançosas/os, tratando suas desilusões, mostrando que está presente, festejando ao lado delas/es?

Não estamos mais nas décadas de 1980/90, tempo em que o evangelismo voltado para os jovens era feito através de pregações em praça pública, tempo em que ser evangélico era ser honrado e respeitado, tempo em que “ser gospel” estava na moda.
Esse tempo passou.
Precisamos repensar os métodos.
E, muito além disso, precisamos repensar a verdadeira intenção de nossos atos.
Queremos lotar nossas igrejas de pessoas alienadas de tudo, ou mostrar a elas o verdadeiro amor, inclusivo, respeitoso, cuidadoso?

Igreja, acorda!
Vivemos novos tempos!
Não olhem para as/os jovens com desprezo, como se tudo o que elas/es sabem não valesse nada, como se tudo o que elas/es precisassem em suas vidas se resumisse a freqüentar a igreja aos sábados e domingos, e fazer parte do grupo de louvor.

Não se escondam atrás de um véu de espiritualidade, que não convence nem seus próprios membros.
Saia de sua zona de conforto e mostre, através da sua vida, dos seus atos, do seu posicionamento no dia-a-dia – no meio da festa – como é viver com Cristo.

Igreja, se mostre!
Com amor, respeito e com a alegria de ter sido abençoada/o por ter nascido brasileira/o.

sábado, 13 de novembro de 2010

Vamos matar o vírus protestante

“Não é mais possível tolerar esse VÍRUS PROTESTANTE como se fosse a coisa mais natural do mundo um grupo de pessoas começar sua própria igreja, que reflete suas fraquezas, temores e suspeitas, alimenta seus preconceitos e as faz sentirem-se confortáveis e relaxadas.”
(David Bosch – “Missão Transformadora”)

Adorei esse termo usado por Bosch “vírus protestante”. Essa proliferação de igrejas é um vírus mesmo, uma doença que se espalha a cada dia, com cada igreja que aparece todos os dias.

Igreja para tatuados; igreja para roqueiros; igreja para tradicionais; igreja para ricos; igreja para pobres; igreja para velhos; igreja para jovens...

Mas eu pergunto: E A IGREJA DE CRISTO?? Cadê?

Sem contar a criatividade:
• Igreja de Deus que se Reúne nas Casas (Itaúna - MG)
• Igreja Pentecostal do Fogo Azul (Duque de Caxias - RJ)
• Ministério Favos de Mel (Rio de Janeiro - RJ)
• Igreja a Serpente de Moisés, a que Engoliu as Outras (Rio de Janeiro - RJ)
• Igreja Atual dos Últimos Dias (Araras - SP)
• Igreja Evangélica Facho de Luz (São Bernardo do Campo - SP)
• Igreja Pentecostal Barco da Salvação (Mauá - SP)
• Igreja Pentecostal Jesus Vem Você Fica (São Paulo - SP)
• Igreja Pentecostal o Senhor Pelejará por Vós (Santo André - SP)
• Igreja Pentecostal Povo de Deus Marcha (Orlândia - SP)
• Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação (Presidente Prudente - SP)
• Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo (São Paulo - SP)
(Fonte: http://missionarios.blogspot.com)

Onde isso vai parar?

A igreja não existe para agradar as pessoas, para concordar com posturas teológicas ou legitimar atitudes.

A Igreja é a família de Deus, formada pelos seguidores de Cristo, que professam o seu nome. Essa família é muitas vezes chamada, na Bíblia, de “Corpo de Cristo”. A Bíblia fala que nesse corpo, Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo. Cada membro faz parte desse corpo. Você vê mãos andando separadas do corpo? Ou um pescoço passeando por aí? Ou uma barriga sobrevivendo sem o resto? Não. Cada membro do corpo precisa dos outros e, principalmente, da cabeça, pra existir.
Cada vez que nos separamos, que criamos nossas próprias doutrinas, que escolhemos esta ou aquela igreja, simplesmente para satisfazer nossos desejos egoístas, estamos fugindo do propósito de ser a Igreja de Cristo.

Quando se refere ao corpo de Cristo, a Bíblia não fala “igrejas”, mas “A Igreja”. “Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo [...]” Efésios 1.22 e 23.

A Igreja é UNA.

O corpo de Cristo é UM.

Somos UM SÓ.

A irmã de cabelão e saia é da mesma família espiritual do moleque todo tatuado; o pentecostal do “reteté” é da família da mulher tradicional, que mal levanta a mão; a menina da igreja que acabou de começar é da família do senhor da igreja mais antiga...

Se confessarmos que Jesus Cristo é o Senhor, e só através Dele somos salvos, estamos vivendo a mesma verdade: Cristo.

Vamos parar de pecar e julgar os outros. Não somos os donos da verdade. Não temos o direito de determinar quem é ou não de Deus.

Não importa qual é a sua igreja/denominação. Se você declara e vive este credo [1], você é parte da família de Cristo:

“Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra.
Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Católica; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.”

[1] O Credo Apostólico. É atribuído à tradição dos apóstolos. Foi escrito, provavelmente, pelas igrejas dos primeiros séculos. Alcançou sua forma definitiva por volta do século VI.

Queridas cristãs e queridos cristãos: SOMOS UM!

“[...] assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo [...] vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.” I Coríntios 12.12 e 27.