As igrejas se proliferam todos os dias, como um vírus sem cura.
Mas o AMOR, a base de todo o Cristianismo, se esfria cada vez mais.
Ao invés de inclusão, a exclusão. No lugar da aceitação, o preconceito.
E quando não há explicação para tanto moralismo, ou base para esse falso cristianismo,
simplesmente ouvimos a expressão: "É DO DIABO!"

A falta de amor, a discriminação, a ignorância, isso sim pode ser considerado "coisa do diabo".
Que as/os cristã/os PENSEM.
E que o verdadeiro cristianismo seja buscado e vivido.
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de julho de 2011

E se Deus fala não? E se Deus não fala nada...


Pode ser que não passe, pode não haver cura, pode acontecer o contrário do que queremos.

E aí? A fé se sustenta?

Temos aprendido que “somos vencedores”, que se tivermos fé, tudo pode acontecer. Mas não é isso que a Bíblia fala.

O texto que todo crente usa, que diz: “em todas estas coisas somos mais que vencedores” (Romanos 8.37), é usado pra nos convencer de que nunca perderemos, que merecemos sempre o melhor. Mas os versículos anteriores falam exatamente o contrário.

O texto fala de todo mal que pode nos atingir, de todos os problemas que poderiam enfraquecer nossa fé:
Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: "Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro" (Romanos 8.35, 36)

Esse texto nos deixa claro que estamos sujeitos aos mesmos problemas que qualquer outra pessoa, cristã ou não: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada... Poderíamos contextualizar todas essas coisas: ficar inquieta, ter depressão, pânico, não ser compreendida e ser excluída, passar fome ou vontade de comer, não ter condições de comprar roupas novas, ficar a mercê de toda violência do dia a dia, ter medo de assaltos, agressões ou estupros, temer armas de fogo, e guerras que podem se aproximar a qualquer momento. E mais, enfrentamos a morte todos os dias.

Nossa, isso é tudo, menos o triunfalismo que o cristianismo atual prega.
Mas se podemos passar por tudo isso, qual a diferença, então, de ter fé? O texto diz que nada disso pode nos separar do amor de Cristo. De novo o amor, a verdadeira mensagem do cristianismo. É o amor de Cristo que nos sustenta, que nos dá forças pra enfrentar todos esses possíveis problemas que nos acometerão.

Aí sim, cabe o trecho: "Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Romanos 8.37). Somos vencedores, não porque não vamos passar pelos problemas, ou porque venceremos todos eles, mas pelo simples fato de podermos passar por eles fortalecidos pelo amor de Cristo.

Pode ser que Deus não fale. Pode ser que ele diga não.

Mas lembre-se: Seu amor nos basta.

Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Romanos 8.38,39)

Imagem: Frida Kahlo "Without Hope"

sábado, 21 de maio de 2011

Em Nome de Deus


A religião existe desde o princípio. Quando o ser humano percebeu que não podia explicar o mundo e seus fenômenos, antes das descobertas científicas a respeito do universo como o conhecemos, a religião foi a forma encontrada para tentar entender nossa existência.

O relato de Gênesis, que fala da trágica ruptura entre a divindade e o ser humano, descreve essa busca pela “felicidade perdida”, o anseio do finito sobre o infinito.

Está na essência da religião o esforço no sentido do eterno retorno às suas origens místicas, assim como para a manifestação de uma ordem sempre ameaçada pelo caos.” Antônio Mendonça

Do latim religio ou religare, religião significa um laço entre os homens e deuses, ou seja, ela foi criada para fazer essa religação (perdida) entre Deus(a)/es e o ser humano.

Os anos se passaram, os/as deuses/as continuaram sendo criados/as e adorados/as. Houve um tempo em que a sociedade pensou não precisar mais deles/as. Alguns deuses/as permaneceram. E apesar do hedonismo de nossa era nos levar ao divino apenas em troca de sua graça, a religião é bem presente na nossa sociedade atual.

Com a religião, teoricamente nos acompanha a ética. A religiosidade nos faz buscar sermos pessoas melhores, fazer o bem, nos aperfeiçoar como religiosos/as, a fim de agradarmos a Deus.

Mas a religiosidade que vemos hoje está há muito tempo distante dessa busca pelo divino. Essa prática não tem sido efetiva em nos tornar pessoas melhores.

Com a religião, o ser humano tem se tornado mais individualista (sua fé é só dele/a), mais moralista (regras e dogmas, que fogem ao controle) e, o mais grave, mais alienado/a e fanático/a.

Pessoas matam em nome de Deus.

E com isto, não estou criticando o islamismo (o que é muito comum nos últimos dias), estou falando da minha religião, o cristianismo. Confira a história. Desde o início, os cristãos morrem e matam em nome de “seu único Deus”. Quantos homicídios, quantas chacinas, quantas guerras, em nome desse Deus, que segundo a tradição, é um Deus de amor e perdão. Tão incoerente.

Você pode argumentar, dizendo que não mata em nome do Deus cristão, mas pode ofender o próximo, o odeiar quando este não faz o que para você é certo, desprezar aqueles com religiões e posturas diferentes da sua. Que tipo de religiosidade é essa? Que tipo de cristianismo é esse?

A religião cristã deve nos levar até Deus, nos ensinar o amor, nos encher de esperança diante de toda essa loucura, nos tornar pessoas melhores e mais tolerantes.

(...)religião significa ser tocado pelas questões últimas, ter levantado a pergunta acerca do ‘ser ou não ser’ em relação ao significado da própria existência e tendo símbolos pelos quais a questão é respondida(...)ser tocado de maneira última a respeito do próprio ser, a respeito de si mesmo e do mundo, a respeito do significado deste, de sua alienação e finitude.” Paul Tillich

Espero que nossa religiosidade nos aproxime de Deus, nos aproxime de nós mesmos, com consciência, e principalmente, nos aproxime do nosso semelhante.
Que nosso cristianismo seja um cristianismo de amor, tolerância e de verdadeira, pura e consciente relação com o Divino.
E que, em nome de Deus, nós AMEMOS.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Carnaval, tempo de fuga?

Ah, o Carnaval.

A coisa mais linda do Carnaval é a bateria.
Mais de 200 instrumentos harmonizados, unidos; pessoas que tocam com a alma e que, em perfeita sincronia, manifestam a alegria e a beleza de ser brasileiro.

Pena que não é só isso.

Quando chega a época de Carnaval, lembramos de mulheres semi-nuas, bundas, peitos, putaria!
“Use camisinha”, “vou pegar geral”, são as palavras mais ouvidas quando chega essa festa nacional.

Perdemos a poesia, a diversão em comunidade, a reverência aos músicos, que se preparam durante tantos meses, para nos deliciarem com uma musicalidade peculiar de nossas raízes.

Mas o que quero ressaltar aqui não é nada disso.

Para os evangélicos, Carnaval é tempo de FUGA.
Eles aproveitam o feriado, se unem e correm para algum retiro – espiritual? – na intenção de não participarem da “festa da carne”.
Alguns até mesmo afirmam ser este um momento de evangelização.

Não duvido de suas intenções.
Eu já fui uma delas, que reunia o máximo de jovens que conseguia, para levá-los comigo a um lugar separado, longe de toda essa “putaria”, para assim, apresenta-los ao Evangelho.

Será que este é o caminho?
Fugir da realidade, sair de perto do nosso “próximo”, nos esconder do que não concordamos?

Que tipo de Evangelho é esse, que faz com que aqueles que já o conhecem, num sentimento – talvez inconsciente – de superioridade, se separem dos que não aceitam sua verdade?

É o que Jesus faria?
Numa festa grande como essa, Ele se afastaria com seus discípulos para um retiro espiritual, ou estaria no meio do povo, falando de seu amor, cuidando das/dos desesperançosas/os, tratando suas desilusões, mostrando que está presente, festejando ao lado delas/es?

Não estamos mais nas décadas de 1980/90, tempo em que o evangelismo voltado para os jovens era feito através de pregações em praça pública, tempo em que ser evangélico era ser honrado e respeitado, tempo em que “ser gospel” estava na moda.
Esse tempo passou.
Precisamos repensar os métodos.
E, muito além disso, precisamos repensar a verdadeira intenção de nossos atos.
Queremos lotar nossas igrejas de pessoas alienadas de tudo, ou mostrar a elas o verdadeiro amor, inclusivo, respeitoso, cuidadoso?

Igreja, acorda!
Vivemos novos tempos!
Não olhem para as/os jovens com desprezo, como se tudo o que elas/es sabem não valesse nada, como se tudo o que elas/es precisassem em suas vidas se resumisse a freqüentar a igreja aos sábados e domingos, e fazer parte do grupo de louvor.

Não se escondam atrás de um véu de espiritualidade, que não convence nem seus próprios membros.
Saia de sua zona de conforto e mostre, através da sua vida, dos seus atos, do seu posicionamento no dia-a-dia – no meio da festa – como é viver com Cristo.

Igreja, se mostre!
Com amor, respeito e com a alegria de ter sido abençoada/o por ter nascido brasileira/o.