As igrejas se proliferam todos os dias, como um vírus sem cura.
Mas o AMOR, a base de todo o Cristianismo, se esfria cada vez mais.
Ao invés de inclusão, a exclusão. No lugar da aceitação, o preconceito.
E quando não há explicação para tanto moralismo, ou base para esse falso cristianismo,
simplesmente ouvimos a expressão: "É DO DIABO!"

A falta de amor, a discriminação, a ignorância, isso sim pode ser considerado "coisa do diabo".
Que as/os cristã/os PENSEM.
E que o verdadeiro cristianismo seja buscado e vivido.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vai ficar tudo bem?

No momento mais difícil da sua vida, quando você descobre uma doença, ou algum ente querido morre, tudo o que você pensa é “por quê?”.
Não há como entender ou aceitar.
Não sabemos lidar com perdas, separações.
Nos sentimos sós, abandonados, sem chão.
É o momento de se conhecer melhor, de questionar a vida, de buscar uma outra direção.

Mas aí, chegam eles, os crentes.
E por não saberem o que dizer e não se importarem com a dor do próximo, simplesmente dizem: “Foi da vontade de Deus”, “vai ficar tudo bem”.

Foi da vontade de Deus???
Isso é tudo que você tem a dizer?

É insensibilidade demais, descaso com a dor alheia.

É um momento de sofrimento, de questionar suas crenças.

Não, não vai ficar tudo bem!
Eu não quero ouvir isso.
Quero ouvir que dói, que é uma merda, que mesmo sem ter o que fazer, você vai estar ao meu lado, que essa dor vai durar um tempo, mas eu vou aprender a lidar com ela, mas ela não vai passar.

Não venha jogar versículos na minha cara.
Você tem mesmo que citar algum versículo? Então use este: “Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram.” Romanos 12.15.

Chore comigo.

É muito simples.
Se importe.
Será que você consegue?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Carnaval, tempo de fuga?

Ah, o Carnaval.

A coisa mais linda do Carnaval é a bateria.
Mais de 200 instrumentos harmonizados, unidos; pessoas que tocam com a alma e que, em perfeita sincronia, manifestam a alegria e a beleza de ser brasileiro.

Pena que não é só isso.

Quando chega a época de Carnaval, lembramos de mulheres semi-nuas, bundas, peitos, putaria!
“Use camisinha”, “vou pegar geral”, são as palavras mais ouvidas quando chega essa festa nacional.

Perdemos a poesia, a diversão em comunidade, a reverência aos músicos, que se preparam durante tantos meses, para nos deliciarem com uma musicalidade peculiar de nossas raízes.

Mas o que quero ressaltar aqui não é nada disso.

Para os evangélicos, Carnaval é tempo de FUGA.
Eles aproveitam o feriado, se unem e correm para algum retiro – espiritual? – na intenção de não participarem da “festa da carne”.
Alguns até mesmo afirmam ser este um momento de evangelização.

Não duvido de suas intenções.
Eu já fui uma delas, que reunia o máximo de jovens que conseguia, para levá-los comigo a um lugar separado, longe de toda essa “putaria”, para assim, apresenta-los ao Evangelho.

Será que este é o caminho?
Fugir da realidade, sair de perto do nosso “próximo”, nos esconder do que não concordamos?

Que tipo de Evangelho é esse, que faz com que aqueles que já o conhecem, num sentimento – talvez inconsciente – de superioridade, se separem dos que não aceitam sua verdade?

É o que Jesus faria?
Numa festa grande como essa, Ele se afastaria com seus discípulos para um retiro espiritual, ou estaria no meio do povo, falando de seu amor, cuidando das/dos desesperançosas/os, tratando suas desilusões, mostrando que está presente, festejando ao lado delas/es?

Não estamos mais nas décadas de 1980/90, tempo em que o evangelismo voltado para os jovens era feito através de pregações em praça pública, tempo em que ser evangélico era ser honrado e respeitado, tempo em que “ser gospel” estava na moda.
Esse tempo passou.
Precisamos repensar os métodos.
E, muito além disso, precisamos repensar a verdadeira intenção de nossos atos.
Queremos lotar nossas igrejas de pessoas alienadas de tudo, ou mostrar a elas o verdadeiro amor, inclusivo, respeitoso, cuidadoso?

Igreja, acorda!
Vivemos novos tempos!
Não olhem para as/os jovens com desprezo, como se tudo o que elas/es sabem não valesse nada, como se tudo o que elas/es precisassem em suas vidas se resumisse a freqüentar a igreja aos sábados e domingos, e fazer parte do grupo de louvor.

Não se escondam atrás de um véu de espiritualidade, que não convence nem seus próprios membros.
Saia de sua zona de conforto e mostre, através da sua vida, dos seus atos, do seu posicionamento no dia-a-dia – no meio da festa – como é viver com Cristo.

Igreja, se mostre!
Com amor, respeito e com a alegria de ter sido abençoada/o por ter nascido brasileira/o.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

2011...

Sem misticismo e falsas promessas. Um novo ano se inicia, mas não nos esqueçamos que é apenas a continuidade de nossa caminhada. Mesmo assim, nos apeguemos à idéia da renovação.

Que coloquemos de lado nossa indiferença. Que realmente amemos nosso próximo, a ponto de lhes desejarmos o que desejamos a nós mesmos. Que salte aos nossos olhos a necessidade dos desafortunados, e além disso, que tomemos atitudes em seu favor. Que não julguemos os diferentes, mas os enxerguemos como gostaríamos de ser enxergados.

Que nós paremos de uma vez com o discurso ecologicamente correto, e realmente atuemos em favor de nosso planeta.

Que não sejamos mais tão egoístas e mesquinhos, que aprendamos a compartilhar e querer o bem dos que nos cercam.

Que nossa fé não se baseie em trocas, crendices ou superficialidades. Que nos entreguemos ao divino de olhos fechados, crendo contra a esperança, tendo certeza do incerto.

Que não usemos o nome de Deus para manipular as pessoas, nem sua misericórdia como desculpa para pecar.

Que o EU morra de fato. Que sejamos NÓS, parte do mesmo corpo, e CRISTO, o cabeça.

Que o cristianismo que morreu já naquela cruz, ressuscite em nós, como Cristo ressuscitou ao terceiro dia. Que sejamos a prova de que nosso Deus não está morto, e sim, essa sociedade cristã e seu deus criado.

Que sejamos menos ignorantes, menos imaturos, e busquemos o conhecimento, a sabedoria, a palavra – o logos.

Que entendamos as coisas como elas realmente são, e não tiremos nossas conclusões baseadas em opiniões próprias.

Que não sejamos mornos, religiosos, vazios. Mas calorosos, vivos, transbordantes.
Que não usemos a virada do ano como desculpa para mudar o que já deveria estar mudado. Mas que aproveitemos esta nova chance de renovar, recriar, reviver.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um Negro Natal


de Edmilson Schinelo
Fonte: www.cebi.org.br



"A comunidade negra de uma região do Rio de Janeiro desejava, no ano de 2010, realizar uma mostra de seus principais símbolos e elementos religiosos. Numa atitude de abertura e acolhida, a reverenda da Igreja Anglicana abriu as portas da congregação para o evento, gesto concreto de diálogo inter-religioso. Mas o que a reverenda não esperava era a reação de alguns fiéis.

Na visão deles, o templo tinha sido profanado, uma vez que representações dos orixás haviam sido introduzidas no espaço sagrado! Esse grupo de fiéis exigiu a purificação e reconsagração do templo, como nos tempos da Idade Média ou na época de Josias (2Rs 23)! Imagens negras adentrando um templo de um "deus branco"!

Por outro lado, as celebrações natalinas no Brasil cedem mais e mais aos apelos do deus mercado. As próprias igrejas começam a aceitar as imposições, cada vez distinguindo menos o que é religião ou cultura popular daquilo que é interesse de mercado. Tem se tornado cena quase comum, na noite de Natal, acolher com palmas a entrada de Papai-Noel nos templos, como o ponto mais alto de missas ou cultos natalinos. Não seria esse gesto uma profanação do espaço sagrado? Ou não seria problema, visto que Papai-Noel é a imagem de um deus branco? É uma questão de aguçar o olhar, de observar como nossos sentidos vão se adaptando a "outros costumes" que moldam nosso comportamento. Por um lado, aumenta na sociedade o fundamentalismo religioso. Basta lembrar o peso que se deu a discussões religiosas realizadas de maneira infantil ou até mesmo maldosa na última campanha presidencial. Por outro lado, este mesmo fundamentalismo não questiona a idolatria do capital. É bom não esquecermos que, no Brasil, adotamos um Natal cada vez menos cristão. Isso se expressa não só na cópia de símbolos europeus, mas no peso que se dá a uma figura produzida e divulgada pela multinacional Coca-Cola.

Evidentemente, não precisamos ir a outros extremos, deixando de valorizar coisas boas que a figura do Papai-Noel traz, especialmente para o sonho das crianças. Melhor seria recuperar o original São Nicolau, o que parece não ser mais possível. Entretanto, na busca de um equilíbrio, devemos pelo menos assumir o racismo imposto pelo mercado: por que a introdução de um símbolo do deus consumo, criado pela sociedade branca, não profana um templo? E por que o diálogo com religiões de matriz africana, a priori já é considerado uma profanação?

Conta o Evangelho de Lucas que os primeiros a visitar Jesus, ainda naquele curral que serviu de templo para acolher a Deus Criança, foram os pastores (Lc 2,8-20). Na versão de Mateus, quem visitou Jesus foram magos estrangeiros (Mt 2,1-12). Em ambos os casos, gente não muito aceita pela religião oficial. Para vários grupos fundamentalistas, isso também seria profanação. Para a sabedoria popular, regada pela ação do Espírito, com certeza, não! Pois o próprio Espírito ajudou a tradição popular a reconhecer em um dos magos o representante do povo negro.

Sabemos que no Brasil mais da metade da população é afrodescendente. Não por coincidência, é a população mais empobrecida e discriminada. Não deixemos que nossa vivência religiosa legitime o preconceito e eternize esse fosso social no qual só há lugar para o verdadeiro Deus em estrebarias.

A você um negro e santo Natal!"

sábado, 13 de novembro de 2010

Vamos matar o vírus protestante

“Não é mais possível tolerar esse VÍRUS PROTESTANTE como se fosse a coisa mais natural do mundo um grupo de pessoas começar sua própria igreja, que reflete suas fraquezas, temores e suspeitas, alimenta seus preconceitos e as faz sentirem-se confortáveis e relaxadas.”
(David Bosch – “Missão Transformadora”)

Adorei esse termo usado por Bosch “vírus protestante”. Essa proliferação de igrejas é um vírus mesmo, uma doença que se espalha a cada dia, com cada igreja que aparece todos os dias.

Igreja para tatuados; igreja para roqueiros; igreja para tradicionais; igreja para ricos; igreja para pobres; igreja para velhos; igreja para jovens...

Mas eu pergunto: E A IGREJA DE CRISTO?? Cadê?

Sem contar a criatividade:
• Igreja de Deus que se Reúne nas Casas (Itaúna - MG)
• Igreja Pentecostal do Fogo Azul (Duque de Caxias - RJ)
• Ministério Favos de Mel (Rio de Janeiro - RJ)
• Igreja a Serpente de Moisés, a que Engoliu as Outras (Rio de Janeiro - RJ)
• Igreja Atual dos Últimos Dias (Araras - SP)
• Igreja Evangélica Facho de Luz (São Bernardo do Campo - SP)
• Igreja Pentecostal Barco da Salvação (Mauá - SP)
• Igreja Pentecostal Jesus Vem Você Fica (São Paulo - SP)
• Igreja Pentecostal o Senhor Pelejará por Vós (Santo André - SP)
• Igreja Pentecostal Povo de Deus Marcha (Orlândia - SP)
• Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação (Presidente Prudente - SP)
• Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo (São Paulo - SP)
(Fonte: http://missionarios.blogspot.com)

Onde isso vai parar?

A igreja não existe para agradar as pessoas, para concordar com posturas teológicas ou legitimar atitudes.

A Igreja é a família de Deus, formada pelos seguidores de Cristo, que professam o seu nome. Essa família é muitas vezes chamada, na Bíblia, de “Corpo de Cristo”. A Bíblia fala que nesse corpo, Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo. Cada membro faz parte desse corpo. Você vê mãos andando separadas do corpo? Ou um pescoço passeando por aí? Ou uma barriga sobrevivendo sem o resto? Não. Cada membro do corpo precisa dos outros e, principalmente, da cabeça, pra existir.
Cada vez que nos separamos, que criamos nossas próprias doutrinas, que escolhemos esta ou aquela igreja, simplesmente para satisfazer nossos desejos egoístas, estamos fugindo do propósito de ser a Igreja de Cristo.

Quando se refere ao corpo de Cristo, a Bíblia não fala “igrejas”, mas “A Igreja”. “Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo [...]” Efésios 1.22 e 23.

A Igreja é UNA.

O corpo de Cristo é UM.

Somos UM SÓ.

A irmã de cabelão e saia é da mesma família espiritual do moleque todo tatuado; o pentecostal do “reteté” é da família da mulher tradicional, que mal levanta a mão; a menina da igreja que acabou de começar é da família do senhor da igreja mais antiga...

Se confessarmos que Jesus Cristo é o Senhor, e só através Dele somos salvos, estamos vivendo a mesma verdade: Cristo.

Vamos parar de pecar e julgar os outros. Não somos os donos da verdade. Não temos o direito de determinar quem é ou não de Deus.

Não importa qual é a sua igreja/denominação. Se você declara e vive este credo [1], você é parte da família de Cristo:

“Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra.
Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Católica; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.”

[1] O Credo Apostólico. É atribuído à tradição dos apóstolos. Foi escrito, provavelmente, pelas igrejas dos primeiros séculos. Alcançou sua forma definitiva por volta do século VI.

Queridas cristãs e queridos cristãos: SOMOS UM!

“[...] assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo [...] vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.” I Coríntios 12.12 e 27.

domingo, 31 de outubro de 2010

Deus escolheu?

Os evangélicos batem no peito e dizem:
“Deus vai escolher quem vai governar o nosso país!”

Não é contraditório? Se o vice em questão é realmente, segundo difamações evangélicas, um satanista, Deus o escolheria para governar nosso país? Pois foi o que aconteceu hoje!!

Quando boas coisas, aos seus olhos, acontecem ao povo evangélico, foi Deus quem mandou; quando algo é ruim, e está fora do controle, é o diabo. Onde entra a NOSSA responsabilidade? Para escolher, para defender o que acreditamos, para realmente fazer a diferença na sociedade?

Nós temos o poder nas mãos. O poder de cuidar do nosso planeta, poder para escolher nossos governantes, poder para cuidar dos marginalizados: pobres, moradores de rua, órfãos, doentes, dependentes químicos, etc. Nós temos o poder e a responsabilidade.

Chega de jogar tudo nas mãos de Deus ou do diabo, o próprio Deus nos deu este mundo para cuidarmos, e nós só o destruímos. Não ligamos para o nosso próximo, apenas para as nossas conquistas pessoais.

Deus NOS escolheu para amar, cuidar, proteger e lutar pelo nosso planeta, pelo nosso país e pelo nosso próximo.
Vamos honrar essa responsabilidade e agir como verdadeiros servos de Deus.